Projeto de Inclusão Digital de Santa Luzia: ao encontro do Cidadão
Ederson Passos
Mestrando em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro, Secretário da ONG – Circuito da Vida, Consultor de Negócio pela Unisys Global Outsourcing, com atuação na Gestão do Crédito Imobiliário. Formado em Ciências Econômicas pelo Unicentro Newton Paiva (2000), com curso de especialização (lato sensu) em Finanças pela UFMG (2002).
epassos@gmail.comwww.edersonpassos.cjb.net
Introdução
As sociedades contemporâneas encontram-se em um acelerado processo de mudanças e transformações, onde o conhecimento é reconhecido amplamente como o principal ativo dos indivíduos, corporações e da própria Administração Pública. A questão que deve ser posta nos círculos de discussões é o fato de que a velocidade da informação não é capaz de produzir e difundir conhecimento equitativamente na sociedade. Isso equivale dizer que caminhamos a passos largos para uma Sociedade da Informação sem, contudo ter resolvido as causas e conseqüências da exclusão social, neste incluído o “apartheid digital”. Destarte é fundamental a democratização das tecnologias, funcionalidades e conteúdos associados à informação para todos os atores sociais.
Numa perspectiva mais otimista pode-se compreender a Sociedade da Informação como “um estágio do desenvolvimento social caracterizado pela capacidade de seus membros (cidadãos, empresas e administração pública) em obter e compartilhar informação, de maneira simultânea e instantânea, em qualquer lugar e da forma desejada”. No entanto, construir uma rede cívica e integrada aos processos de informações locais e globais requer enormes esforços e recursos, assim como o envolvimento da iniciativa pública, iniciativa privada, o terceiro setor e a comunidade local na consecução do modelo de acesso às informações.
Por outro lado, é importante considerar como características primordiais da base material na sociedade da informação:
A informação como matéria-prima;
Produção de tecnologia para agir sobre a informação;
A informação como parte integral de toda atividade humana;
Adoção da lógica de redes nos sistemas ou conjuntos de relações, usando as novas tecnologias da informação;
Possuir como base a flexibilidade, tornando reversíveis os processos, organizações e instituições;
A crescente convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado.
O Papel do Governo Local
Faz-se necessário enxergar o espaço e o papel dos municípios como agentes multiplicadores do acesso ao processo informacional. Assim, os Municípios são vistos como atores determinantes a partir da formulação de projetos e idéias direcionados à inclusão digital. Nesta dimensão o Município é visto como espaço de manifestação da cultura e da vida do cidadão permitindo aos indivíduos a interação digital entre si. Isso representa a construção da rede cívica onde se dá o compartilhamento de experiências comuns em tempo real. Dessa forma, o cidadão passa a ser ponto focal da “produção, gestão e usufruto dos benefícios” da comunidade virtual.
O caso da Cidade de Santa Luzia
Observados os detalhes dos processos e dinâmicas para a construção de uma cidade virtual, a cidade de Santa Luzia, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, abarca um projeto inédito no Estado e quiçá no País. Trata-se de um esforço singular onde a iniciativa pública em parceria com o terceiro setor, a partir do último dia vinte e sete de junho de 2005 deu início ao projeto de inclusão digital. Essa parceria envolve a Prefeitura Municipal e a OSCIP – Circuito da Vida
[1], empresa do terceiro setor responsável pela gestão dos recursos técnicos, operacionais e humanos envolvidos no projeto.
Essa parceria visa sistematizar a Inclusão Digital da população oriunda da rede pública de ensino do município de Santa Luzia/MG. A sinergia criada com o trabalho conjunto visa estabelecer sete (7) diferentes pontos de atendimento (quiosques) distribuídos estrategicamente pela cidade, denominados de “coretos digitais”. O programa de Inclusão Digital coordenado pela ONG Circuito da Vida se destina ao público formado por crianças, jovens e adultos da rede publica de ensino em situação de exclusão digital.
O objetivo claramente é desenvolver uma malha digital interligada entre os coretos digitais, através do uso da Internet, com doze pontos (terminais) complexos de rede em cada espaço criado, conectando comunidade, escolas, entidades de classe, serviços públicos, fontes de pesquisas, marcas, bens, organizações civis, empresas, comunidades simples e complexas, “ações de diversas ordens e padrões, objetivando a consolidação de uma cidade do conhecimento, em que o cidadão é ator e protagonista de uma outra realidade, a virtual”.
Ressalta-se que a condição primária para a implementação do projeto de inclusão digital foi a definição de seu próprio tamanho (abrangência e magnitude). Desse modo, levando em consideração que será ofertado a cada cidadão uma hora de acesso por coreto, seis (6) dias por semana e 26 dias no mês, estima-se um acesso mensal de pouco mais de 24 mil cidadãos.
Do ponto de vista metodológico, a primeira etapa do projeto compreenderá o uso dos equipamentos com acesso à Internet e aplicativos de textos e tabelas, se beneficiando do software livre. A abordagem pedagógica será voltada para a natureza individual do usuário e não da ferramenta disponível, o que permitirá o acompanhamento pedagógico do usuário pautando nos seus conhecimentos básicos e na habilidade no uso de seus equipamentos e de suas ferramentas; se comprometer a avaliar a metodologia aplicada e promover adequações se necessária, assim como, “pretende desenvolver nos Educandos e educadores, habilidades voltadas para o manuseio de software, tendo como objetivo a sua utilização de forma empreendedora para o desenvolvimento pessoal e comunitário”.
O aproveitamento adequado das oportunidades do projeto possui resultado esperado: - A inclusão digital, fruto dessa parceria visa promover o perfeito ajuste da comunidade frente aos processos de informação computacional. Espera-se a mudança de postura dos cidadãos perante um mundo de constante transformação. O resultado final desses esforços é tornar a comunidade local capaz de reproduzir os ensinamentos em projetos sociais para seu próprio benefício. Isso representa para todos os envolvidos, o verdadeiro encontro ao cidadão.
Trabalho elaborado e compilado a partir dos estudos de:
- Eduardo Navarro de Carvalho, Apresentação do 47º Painel Telebrasil. Brasília, 14 de Novembro de 2003;
- Prof. Evandro Prestes Guerreiro, Apresentação. USP-ECA, 04/ 11/ 2002.
[1] Trabalha na elaboração, desenvolvimento e acompanhamento de projetos, nas áreas jurídicas, científicas e tecnológicas em todo o seu contexto proporcionando a busca da melhoria da qualidade de vida. Recebeu a certificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP – em 13/12/2005, conforme publicação no diário oficial.